Sexta-feira
03 de Abril de 2026 - 

Acompanhe seu processo

Insira seu usuário e senha para acesso ao software jurídico

Notícias

Cotação Monetária

Moeda Compra Venda
DOLAR 4,85 4,85
EURO 5,32 5,32
LIBRA ES ... 6,19 6,20
PESO (ARG) 0,01 0,01
PESO (URU) 0,12 0,12

Cotação da Bolsa de Valores

Bovespa 0,92% . . . .
S&P 500 0,31% . . . .
Dow Jone ... % . . . .
NASDAQ 0,02% . . . .

Previsão do tempo

Segunda-feira - Campinas...

Máx
34ºC
Min
21ºC
Parcialmente Nublado

Terça-feira - Campinas,...

Máx
34ºC
Min
23ºC
Parcialmente Nublado

Quarta-feira - Campinas,...

Máx
35ºC
Min
24ºC
Parcialmente Nublado

Quinta-feira - Campinas,...

Máx
35ºC
Min
23ºC
Parcialmente Nublado

Setor de Achados e Perdidos do TJRJ tem objetos inusitados esquecidos

Máquina utilizada em obras, bengala, muleta e carrinho de feira fazem parte do acervo do Setor de Achados e Perdidos do Fórun Central  Como uma pessoa pode perder uma dentadura e não sentir falta? Uma cadeira de rodas, muletas, um violão, um carrinho de feira, banquetas plásticas, dinheiro e até um monitor de computador? Assim como em outros lugares do mundo, o setor de Achados e Perdidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) tem um acervo bem inusitado, onde vão parar dezenas de objetos esquecidos por dia no Fórum Central, alguns inexplicavelmente abandonados sem que os donos voltem para buscar.  E, afinal, o que é o esquecimento? Segundo a neurociência, é uma falha na retenção ou recuperação de informações. E quem lida diariamente com o esquecimento alheio é a diretora da Divisão de Administração do Foro Central (Difor), Khatia Glazy Ribeiro de Souza, a que o setor de Achados e Perdidos do Fórum da Capital está ligado.  “Não há uma explicação razoável para uma pessoa, por exemplo, perder uma dentadura e não sentir falta. Como ela entra aqui no Fórum, vai ao banheiro, provavelmente escova, sai sem dentadura e nem sente falta?”, indaga a diretora da Difor, que já fez essa pergunta várias vezes e ainda se espanta com esses objetos que são cuidadosamente recolhidos, catalogados e guardados. Poucos são os proprietários dos itens que voltam para recuperá-los.  A diretora da Difor, Khatia Glazy Ribeiro de Souza, e o servidor Maurício Monteiro, responsável pelo serviço de limpeza, explicam que os objetos são catalogados e guardados e podem ser resgatados em até 60 dias As próteses totais, popularmente chamadas de dentaduras, têm preços que podem variar de R$ 1 mil a R$ 5 mil e são feitas sob medida. Ou seja, estes itens esquecidos pelos banheiros do TJ são caros e não poderão servir para mais ninguém além dos próprios proprietários. Napoleão deu ordem para criar serviço  Poucos devem conhecer a história da criação dos achados e perdidos em alguns países. Foi Napoleão Bonaparte que, em 1805, ordenou que a criação de um local centralizado para coletar objetos encontrados nas ruas de Paris, na França. Anos depois, já em 1850, o serviço de “Bureau des Objetes Trouvés” ganhou mais espaço e mudou-se para as proximidades do Palácio da Justiça, onde eram catalogados cerca de 10 mil objetos por ano. Até hoje, quem estiver pela cidade-luz e perder alguma coisa pelas ruas pode ir ao local.   Na capital francesa, uma das cidades mais visitadas do mundo, são encontrados cerca de 1 mil objetos perdidos por dia.  Embora este sistema francês seja considerado o primeiro Achados e Perdidos moderno, outros vieram antes, de acordo com alguns registros. No Japão, um serviço de propriedades achadas remonta ao ano de 1718, enquanto em Londres, em 1714, teria sido criado um escritório de propriedades perdidas.  Milagres acontecem?  Sem ter uma explicação plausível para o abandono de uma cadeira de rodas ou de muletas em pleno Tribunal de Justiça, não faltam especulações. Uns acreditam em milagres, enquanto outros creem que os acessórios podem ter sido usados apenas com certa finalidade de prova em algum processo. Documentos e carteiras funcionais são, de acordo com os registros do setor, os itens mais encontrados, seguidos por guarda-chuvas, chaveiros, óculos e pequenos objetos lacrados em envelopes em busca dos donos, que raramente aparecem.  Não há uma estatística precisa, mas o índice de recuperação, ou seja, de pessoas que voltam para buscar o que perderam é muito pequeno, cerca de 20% ou menos, avaliam os funcionários.    '171' em busca de objetos  Nem tudo é só guardar e aguardar os donos. Histórias engraçadas cercam também o setor. Quem conta um dos episódios é o chefe do Serviço de Limpeza (Selim), responsável pelo “Achados e Perdidos”, Maurício Monteiro.  Em um dia de chuva, surge um senhor. Bom dia pra cá, bom dia pra lá e ele contou que tinha perdido seu guarda-chuva no Fórum e que o queria de volta.  “Eu apenas perguntei como era o guarda-chuva que ele havia perdido. O senhor só dizia: um guarda-chuva, ora! E ele não sabia dizer nem a cor do que ele alegava ter perdido. Quando ele percebeu que não estava “colando” a história ele, irritado, foi embora. Como estava chovendo, ele não queria pagar por um guarda-chuva. Mas, aqui, a pessoa tem que comprovar que é dona do objeto, dando as características. Se não confirmar tudo direitinho, não vai levar coisas que pertencem a outras pessoas. Foi um caso de ‘171’ tentando dar um golpe”, perte-se Maurício Monteiro.  Entre banquetas, uma cafeteira, centenas de óculos, chaveiros, molho de chaves, já foram pegos objetos mais “estranhos”. Até peças íntimas já foram recuperadas em banheiros masculinos e femininos.  Destinação  Tudo que é encontrado nas dependências do Poder Judiciário é encaminhado ao Achados e Perdidos. Segundo Maurício Monteiro, na atual gestão foi concluída toda a regulamentação para guarda, descarte e devolução dos objetos.  “O setor existe desde 2009 e já passou por normas editadas para seu funcionamento. Mas, foi nesta gestão que esse processo foi concluído e todo normatizado”, afirmou.  A diretora Khatia de Souza conta que, depois de catalogados e etiquetados, os pertences podem ser retirados em até 60 dias após terem sido perdidos. Depois desse período, eles são, em regra, descartados.   Não fosse essa regulamentação, a sala no andar térreo estaria sem espaço para andar, como aconteceu anos atrás. Que o diga o funcionário Paulo Moreira que cuida, com todo carinho, de tudo que é encontrado.  “Esse local estava tão cheio que a gente nem conseguia andar. Agora, a gente consegue circular. O que eu fico triste e acho estranho é que poucas pessoas nos procuram para recuperar seus bens, alguns até inusitados”, afirma Paulo.  E esse trio, Khatia, Maurício e Paulo, é implacável no cuidado e guarda dos bens esquecidos. Por isso, quem esqueceu alguma coisa nos últimos 60 dias, pode procurar o setor de Achados e Perdidos, que fica no prédio do Tribunal de Justiça, no Centro do Rio.  Alguns bens puderam ser aproveitados para uso comum no Fórum Central, como a cadeira de rodas esquecida em 2010, que hoje está sendo usada para servir a quem precisa de auxílio nas dependências do Judiciário fluminense.     Serviço:  Setor de Achados e Perdidos Horário: das 11h às 18h, de segunda a sexta-feira Endereço: sala 118, Lâmina II, corredor C, andar térreo do Fórum Central  PF/SF Fotos: Gabriel Oliveira/TJRJ  
03/04/2026 (00:00)
© 2026 Todos os direitos reservados - Certificado e desenvolvido pelo PROMAD - Programa Nacional de Modernização da Advocacia
Visitas no site:  9880702
Pressione as teclas CTRL + D para adicionar aos favoritos.